
o uniforme olímpico de skate feito por Piet Parra
As olimpíadas enquanto um acontecimento que coloca praticamente toda a humanidade reunida em uma espécie de ritual de partilha e encontro entorno dos esportes é por si só um dos eventos mais legais que podemos conhecer até hoje e que, com um pouco de abertura para as coisas legais que a vida individual e coletiva pode oferecer, nos dá uma espécie de voz uníssona e ecumênica da experiência de viver o esporte.
Na edição de 2020 alguns esportes que até então não faziam parte do hall olímpico entraram para a grade do evento, entre eles está o skate. Após a confirmação de sua inserção, um dos primeiros pensamentos que provavelmente surgiu entre aqueles que se identificam com o skate foi a questão do uniforme. Pois, como ficaria o uso de uniforme por parte de um “esporte” que não se habitua a um enquadramento de competições cheia de protocolos e a costumes formais?
O uso de uniforme no skate não é propriamente uma novidade e a sua presença já apareceu em outros momentos de sua história, como no Mundial de Vancouver de 1986 em que a delegação brasileira vestia roupas que tornavam fácil a sua identificação.
A concepção de um uniforme esportivo parece ser uma atividade baseada em três eixos, que são a performance, a tecnologia e a identidade. A performance envolve as questões de comportamento da roupa e a otimização dos movimentos, a tecnologia está relacionada com os tecidos e a sua capacidade de melhorar a dinâmica do corpo em relação ao conforto, e a identidade é a caracterização das roupas e acessórios de modo que seja capaz de suscitar a relação com o clube ou seleção, por exemplo. O skate enquanto uma atividade e cultura que se desenvolveu a margem de uma tradição propriamente esportiva foi criando a sua própria linguagem estética de moda que se distanciou dos aspectos mais técnicos de um vestuário esportivo. Embora caiba dizer aqui que este não é um aspecto em absoluto ignorado.
Para as Olimpíadas de 2020 a Nike desenvolveu os uniformes para algumas das delegações que contam com o seu patrocínio e para isso convidou Piet Parra para criar as peças que farão parte do dia a dia dos skatistas.



(Divulgação)
O que Parra criou parece que encontra um ponto de intersecção claro e exitoso entre as estéticas de moda do skate contemporâneo e os aspectos técnicos de um uniforme esportivo para a categoria.

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Houve um cuidado na escolha das peças que levou em consideração os diversos jeitos de se vestir da atualidade, respeitando os cortes e os caimentos adotados por muitos skatistas e dando a liberdade de escolher diferentes combinações entre elas. Ao mesmo tempo, foi incorporado tecidos mais adequados para a prática de alta performance e elementos de roupas mais esportivas.



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O que talvez esteja fora de um visual comum e habitual são as estampas que se acentuam ao longo das peças e as cores em tons mais vibrantes.


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Parra possui um trabalho característico com esses dois elementos e costuma valorizá-los na composição de suas criações. Inclusive estão presentes em parte de suas criações anteriores para a Nike. Com o esmero de manter as características de seu estilo e seguindo a proposta de serem uniformes de seleções, as estampas e as cores remetem aos países representados.
No fim das contas, o uniforme criado por Piet Parra para as Olimpíadas são peças que podem ser incorporadas naturalmente ao repertório visual do skate em seus mais diversos gostos e práticas.
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